time

Fevereiro 21, 2008 at 7:41 pm (Personal)

Era grande, a maior debaixo da árvore. Intrigante, sem dúvida: pelo volume, pelo peso, pelo som metálico que fazia ao tocar-lhe. Pela surpresa que prometia revelar-se.

Naquele dia 24, desembrulhei um grande cesto de papéis do Snoopy, recheado até acima de pequenas prendas, cada uma mais surpreendente que a outra. Guaches, aguarelas e pincéis, canetas de feltro, lápis de cera, de cor e de carvão, esquadros, compassos, réguas e papéis, muitos papéis - tudo aquilo necessário para dar largas à imaginação, tudo aquilo que me acompanhou ao longo dos últimos 16 (serão? Perdi-lhes a conta) anos. Tudo aquilo que ainda hoje me põe um sorriso na boca quando surge, de repente, do fundo de uma gaveta.

Foi a melhor prenda que alguma vez recebi – tinha 11 anos. Não foi a mais cara, a mais surpreendente, a mais bonita, nem mesmo aquela que eu mais queria - mas assim permaneceu. Porquê, não sei.  Talvez por ainda hoje trazer à memória outros tempos, outras paisagens, pessoas que desapareceram subitamente, sem tempo para despedidas, para sempre.

Nem parece meu, é certo. Mas estas coisas da idade deixam-nos assim, melancólicos.

Permalink 3 Comentários